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  • Dr. Felippi Cordeiro

COMO TRATAMOS O PÉ TORTO CONGÊNITO?

O pé torto congênito é uma patologia caracterizada por uma deformidade específica dos pés ao nascimento. O paciente nasce com os “pés para dentro”, e o diagnóstico é realizado através do exame clinico inicial. A deformidade é marcada por quarto características principais: CAVO (aumento da curva plantar), VARO do retropé (deformidade em que o calcanhar fica para dentro), EQUINO do retropé (incapacidade de dorsifletir o pé) e ADUTO do antepé (parte da frente dos pés é para dentro). Essas quatro caracteristicas presentes definem o diagnóstico de pé torto congênito. A maioria dos casos não são associadas a outras patologias ou síndromes, sendo dessa forma denominados pé torto congênito idiopático.


A causa especifica da patologia é desconhecida, porem muitos autores relacionam a alterações genéticas, que causariam mudanças estruturais nas caracteristicas de tendões e estruturas ligamentares dos pés. As estruturas mediais nasceriam com contraturas sendo responsáveis pela formação da deformidade.


Muitos tratamentos foram descritos, porém o tratamento de escolha na atualidade é o método descrito por Dr. Ponsetti. Esse método descrito na década de 40, foi difundido e aceito apenas nos anos 2000, e diminuiu muito a necessidade de cirurgias e taxa de complicações, além de resultar em pés com deformidades totalmente corrigidas e mais funcionais.


O método apresenta protocolo muito bem definido e consiste em 3 fases basicamente. A primeira fase deve ser iniciada o quanto antes (entre 7 a 15 dias de vida) e consiste na correção das deformidades através da confecção de gessos inguinopodálicos (da virilha até os pés com joelho 90 graus de flexão) corrigindo a deformidade progressivamente e trocados semanalmente. Apos a correção satisfatória das deformidades de CAVO, VARO e ADUTO iniciamos a segunda fase. O numero de gessos na primeira fase varia de acordo com a rigidez de cada pé, entre outros fatores. Geralmente são necessárias de 4-10 trocas gessadas.


A segunda fase consiste na correção da deformidade em EQUINO do pé. Isso se faz através de um procedimento em que realizamos uma tenotomia do tendão calcâneo percutaneamente (um corte pequeno de menos de 0,5 cm em que não é necessário o uso de pontos para fechar). Esse procedimento pode ser realizado no próprio ambulatório ou em centros cirúrgicos dependendo da preferencia do medico e dos pais. A anestesia geralmente é local. Após o corte do tendão é confeccionado novo gesso inguinopodálico nos mesmos moldes dos gessos anteriores, que não será trocado por 3 semanas. A realização da tenotomia nem sempre é necessária, cerca de 90% dos casos precisam do procedimento.



Após 3 semanas iniciamos a Terceira fase que a fase de manutenção. Essa é a fase mais longa e por isso a fase onde ocorre a maioria das falhas e recidivas. Após a retirada do gesso é necessário o uso de um aparelho denominado órtese, este aparelho garante que os pés fiquem na mesma posição durante o crescimento e desenvolvimento dos pés. Por isso, deve ser usado até os quarto anos de idade. Nos primeiros 3 meses o uso deve ser de 23h por dia e no restante do tratamento deve ser de 14h por dia. A falha no uso da órtese é um dos principais fatores que determinam a falha no tratamento.

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